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A Verdadeira História da Barra Acervo documental do caso do Banco de Crédito Móvel
Pergunta 02

O banco ainda existe?

Existe. E a resposta não depende de interpretação: depende de saber o que é preciso para uma instituição financeira deixar de existir, e de conferir se isso foi feito. Não foi.

A distinção

Liquidação não é extinção

Uma sociedade em liquidação continua existindo — com personalidade jurídica, com representação, capaz de ser parte em processo. Ela só se extingue quando a liquidação termina e o encerramento é averbado.

O Banco de Crédito Móvel foi fundado em 16 de outubro de 1890. A lei que o rege é o Decreto nº 165, de 17 de janeiro de 1890 — “Provê á organização de bancos de emissão” —, e o nome vem do Decreto nº 165-A do mesmo dia, que dispõe sobre “as operações de crédito móvel a benefício da lavoura e indústrias auxiliares”.

Não é detalhe de erudição. O Decreto nº 164, de 17 de janeiro de 1890, é a lei das sociedades anônimas — sua ementa é “Reforma a lei n. 3.150 de 4 de novembro de 1882”. A lei bancária é o 165, editado no mesmo dia e com número seguinte. Quem confunde os dois acaba julgando o Banco pelo regime das S.A. comuns, que é exatamente o erro que se quer evitar aqui: para uma casa bancária, a extinção nunca foi assunto só de acionista. Ementas conferidas no texto oficial dos três decretos

O Banco operou por toda a Primeira República e além dela. Entrou em liquidação amigável em 1901, sob o Decreto 703/1900 — e nunca a concluiu. Seguiu administrando arrendamentos, emitindo títulos e empregando gente: há balancete de arrendatários em 1921, nota promissória em 1929, comprovante de vínculo de funcionário assinado em 1936, e em 1909 e 1919 o poder público é convidado a comprar as terras — e pede os títulos, em vez de alegar domínio próprio.

A pessoa jurídica, e o banco funcionando

  1. 17 de janeiro de 1890 🔑 DECRETO N.º 165 · A LEI BANCÁRIA Ementa: "Provê á organização de bancos de emissão" · é esta a legislação especial do sistema financeiro, e é sob ela que o Banco se organiza Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  2. 17 de janeiro de 1890 🔑 DECRETO N.º 165-A · O NOME DO BANCO Ementa: "Dispõe sobre as operações de credito movel a beneficio da lavoura e industrias auxiliares" · é deste decreto que vem a denominação Banco de Crédito Móvel · empréstimos a curto prazo sob penhor de máquinas, animais e frutos Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  3. 16 de outubro de 1890 FUNDAÇÃO DO BANCO Assembleia Geral de Instalação · capital subscrito de 10.000:000$000 · ata publicada na Gazeta de Notícias de 17/10/1890 Selo de prova C — Fonte pública. Imprensa, Diário Oficial, acervo público. Sempre com a fonte à vista.
  4. 10 de outubro de 1900 DECRETO N.º 703 Liquidação amigável · o art. 1.º suspende o Dec. 164 quanto às forçadas Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  5. 28 de janeiro de 1901 A liquidação vai à imprensa A Notícia de 28/01/1901 · depois O Paiz de 06/02/1901 · a partir daí as ações ficam indisponíveis Selo de prova C — Fonte pública. Imprensa, Diário Oficial, acervo público. Sempre com a fonte à vista.
  6. 16 de fevereiro de 1901 Liquidação amigável AGE elege liquidantes · sob o Decreto 703 · método legal à época · o Comendador Augusto José Ferreira preside a Comissão Liquidante Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  7. 1909 O poder público é convidado a comprar E pede os títulos · em vez de alegar domínio Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  8. 1919 A Prefeitura é convidada a comprar E também pede os títulos · dez anos depois Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  9. 1921 Balancete com a relação de arrendatários O Banco ainda administrando o arrendamento, trinta anos depois da compra Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  10. 1929 Nota promissória do Banco A companhia operando sob Holophernes Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  11. 1936 Comprovante de vínculo de funcionário Assinado por Holophernes · o Banco tinha empregados em 1936 Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  12. 31 de outubro de 1945 A ÚLTIMA AGE VÁLIDA Contas aprovadas · arquivada no DNIC · Diário Oficial de 30/11/1945, p. 18113 Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
1964

O ato de 1964 é nulo — e não por um defeito, por três

Em 30 de dezembro de 1964 lavrou-se uma escritura declarando a extinção do Banco, e em 11 de março de 1966 ela foi arquivada. O problema não é de forma. É de legitimidade — e ela falta nas três pontas do ato: em quem convocou, em quem fiscalizava e em quem tinha de encerrar.

1. Quem convocou não tinha poderes

A assembleia que “elegeu” os liquidantes é de 15 de janeiro de 1963. Desde 1946, o art. 3.º do Decreto-Lei nº 9.228 é explícito: o liquidante de banco é nomeado pelo Ministro da Fazenda. Não eleito. Os de 1963 foram eleitos pelos acionistas — quer dizer, nomeados por quem não tinha competência para nomeá-los. Tudo o que eles assinaram depois nasce desse vício.

2. Não houve SUMOC — e desde 1946 era a SUMOC que conduzia isto

A liquidação de um banco nunca terminou por decisão dos sócios. A SUMOC — Superintendência da Moeda e do Crédito, criada em 1945 — era a autoridade que acompanhava o processo: o art. 27 do Regulamento 9.346/1946 exige que a liquidação só se encerre quando a SUMOC aprova as contas finais, e a Lei 1.808/1953 repete a obrigação de prestar contas a ela.

Em todo o acervo não há um único ato da SUMOC sobre este Banco: nenhuma aprovação de contas, nenhum despacho, nenhuma comunicação. A última prestação de contas regular do Banco é a AGE de 31 de outubro de 1945, publicada no Diário Oficial de 30 de novembro de 1945. Depois dela, silêncio de dezenove anos — e então uma escritura de tabelião. AGE de 1945 lida no original, com o número da página do DOU

3. Quem tinha de encerrar era o BACEN — e ele nunca foi chamado

A Lei nº 4.595 é de 31 de dezembro de 1964: cria o Banco Central e transfere a ele as atribuições da SUMOC. Instituição financeira não se encerra sozinha — o encerramento depende do BACEN. Não houve ato do BACEN. E sem ele, como assentou a Justiça Federal em 2025, encerrar instituição financeira é ato nulo.

A nulidade atravessa dois regimes. A escritura é lavrada em 30 de dezembro de 1964 — véspera da Lei 4.595 —, quando o fiscal do sistema era a SUMOC, que não foi ouvida. E só é registrada em 11 de março de 1966, quinze meses depois, já sob o Banco Central, que também não foi ouvido. O ato nasce nulo no regime da SUMOC e é levado a registro nulo no regime do BACEN. Não há um instante da linha do tempo em que ele tenha sido válido. Escritura e processo de arquivamento nº 126.595 lidos no original

Some-se o que o próprio arquivamento mostra: o DNRC devolveu o requerimento em abril de 1965 com um “satisfaça exigência”, e quem afinal firmou o pedido foi um dos liquidantes eleitos em 1963 — isto é, a exigência foi satisfeita pela mesma pessoa cuja investidura é o defeito.

E nem os envolvidos trataram o Banco como extinto: em 27 de julho de 1966 ele ainda comparece a ato “em liquidação”, e em 1972 é o Juízo quem escreve a mesma expressão. Em 1973 a Junta Comercial de Goiás certifica que o Banco não consta de seus registros — o que é o contrário de uma baixa: é a ausência de qualquer ato de encerramento. Os três atos estão na trilha abaixo, com selo A

O ato, a lei que ele ignorou, e o que veio depois dele

  1. 2 de fevereiro de 1945 Decreto-Lei 7.293 Cria a SUMOC · o fiscal dos bancos já existia Selo de prova B — Referido, não lido. Citado em documento que lemos, mas cujo original ainda não abrimos. Vale como referência, nunca como fato.
  2. 31 de outubro de 1945 A ÚLTIMA AGE VÁLIDA Contas aprovadas · arquivada no DNIC · Diário Oficial de 30/11/1945, p. 18113 Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  3. 1946 Regulamento 9.346 Art. 27 · a liquidação só encerra quando a SUMOC aprova as contas finais Selo de prova B — Referido, não lido. Citado em documento que lemos, mas cujo original ainda não abrimos. Vale como referência, nunca como fato.
  4. 3 de maio de 1946 DECRETO-LEI N.º 9.228 🔑 Art. 3.º: o liquidante de banco é nomeado pelo Ministro da Fazenda · não eleito Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  5. 7 de janeiro de 1953 Lei 1.808 Prestação de contas à SUMOC por banco em liquidação Selo de prova B — Referido, não lido. Citado em documento que lemos, mas cujo original ainda não abrimos. Vale como referência, nunca como fato.
  6. 15 de janeiro de 1963 A AGE QUE "ELEGEU" OS LIQUIDANTES José Gallote Peixoto e Heyder Castro · eleitos pelos acionistas, não nomeados pelo Ministro da Fazenda Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  7. 30 de dezembro de 1964 EXTINÇÃO DECLARADA Escritura no 22.º Ofício · Livro 482 fls. 42 · tabelião substituto Evaldo Moraes Rego Araujo Franco · nove comparecentes, cinco deles da família Castro Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  8. 31 de dezembro de 1964 LEI N.º 4.595 Cria o Banco Central · que absorve a SUMOC Selo de prova C — Fonte pública. Imprensa, Diário Oficial, acervo público. Sempre com a fonte à vista.
  9. abril de 1965 "Satisfaça exigência" O DNRC devolve o requerimento · protocolo 12.746 Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  10. 11 de março de 1966 ARQUIVAMENTO NO DNRC Quinze meses depois da lavratura · processo n.º 126.595 · firmado por Heyder Castro como liquidante · 🔑 é o registro que traz o ato para dentro da vigência do BACEN Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  11. 27 de julho de 1966 O BANCO AINDA COMPARECE "EM LIQUIDAÇÃO" O último dos cinco atos assim descritos no 5.º Ofício · quatro meses depois do arquivamento da extinção Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  12. 1972 O Juízo escreve "em liquidação" Descreve o imóvel como "do Banco de Crédito Móvel S/A em liquidação" · oito anos depois da "extinção" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  13. 26 de junho de 1973 🔑 A JUCEG CERTIFICA QUE O BANCO NÃO CONSTA Petição 25.496 · "não consta registrada nesta JUCEG a sociedade Banco de Crédito Móvel S.A." · Secretário Luiz Igrejas Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
2005 a 2017

A liquidação judicial — e o que ela decidiu

Os autos nascem em 2005 na 6.ª Vara Empresarial — 0052469-45.2005.8.19.0001 —, mas a decisão que importa é muito posterior: 9 de fevereiro de 2017, publicada em 2 de março. O que o juízo diz nela é o oposto do que se costuma afirmar sobre este Banco.

A sentença e o acórdão, reconhece a juíza, “transitaram em julgado desde há muito, sem que se tivesse dado efetividade à liquidação”: a sentença determinara liquidar os bens da sociedade, “o que ainda não aconteceu”. E conclui que a hipótese “não era de mera expedição de alvará” — determinando a autuação para liquidação judicial do Banco de Crédito Móvel. Decisão transcrita em peça arquivada na JUCERJA sob o protocolo 00-2017/311549-7

Três pontos dessa decisão merecem ser lidos devagar. O primeiro é de doze anos antes: quem pediu para ser liquidante, em 9 de março de 2005, confessou nos autos estar de “mãos atadas, haja vista não ter autorização judicial para representar a Sociedade Extinta… em sua plenitude”. Em dezembro de 2005 voltou pedindo “plenos poderes”, e o juízo recusou — nomeando em lugar dele o 2.º Liquidante Judicial do TJRJ.

O segundo: a decisão de 2017 determina a autuação para liquidação judicial do Banco de Crédito Móvel e inclui no feito os espólios de Holophernes de Castro e Lydia Teixeira de Castro — quer dizer, o juízo trata o Banco como sociedade a liquidar, não como coisa inexistente.

O terceiro: o mesmo juízo oficia à 7.ª Vara de Fazenda Pública para suspender todo pagamento de créditos ao Banco nos autos da desapropriação de 1962. Suspende-se o pagamento de quem tem crédito a receber — o que só faz sentido para quem existe.

Em 13 de junho de 2017 o processo é extinto sem resolução de mérito, com base no art. 485, IV e VI, por não haver “ativo a liquidar ou credores habilitados”. Extinção sem mérito não faz coisa julgada material, e não declara ninguém extinto: ela encerra aquele processo. É a peça que a tese contrária precisa ler como “convalidação” — e que, lida por inteiro, não diz isso. Ao contrário: encerrar a liquidação sem liquidar nada deixa a sociedade exatamente onde estava — em liquidação, e portanto existindo.

A liquidação judicial

  1. 9 de março de 2005 PASQUALE PEDE PARA SER LIQUIDANTE "mãos atadas, haja vista não ter autorização judicial para representar a Sociedade Extinta… em sua plenitude" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  2. 15 de dezembro de 2005 Pede plenos poderes · RECUSADO "representar a sociedade extinta com plenos poderes" · e o juízo nomeia, em lugar dele, o 2.º Liquidante Judicial do TJRJ Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  3. 13 de dezembro de 2016 A M&M entra no processo 1.ª petição · 14 dias depois da contratação Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  4. 9 de fevereiro de 2017 6.ª VARA EMPRESARIAL · A LIQUIDAÇÃO JUDICIAL Decisão de 09/02/2017, publicada em 02/03/2017 (o mapa a datava em 2005, ano em que os autos nasceram) · Autos 0052469-45.2005.8.19.0001 (2005.001.053855-9) · a juíza reconhece que a sentença e o acórdão "transitaram em julgado desde há muito, sem que se tivesse dado efetividade à liquidação" — a sentença determinara a liquidação dos bens da sociedade extinta extrajudicialmente, "o que ainda não aconteceu" · "a hipótese dos autos não era de mera expedição de alvará… que determinou a liquidação judicial" · determina a rerratificação e autuação para LIQUIDAÇÃO JUDICIAL do Banco de Crédito Móvel, a inclusão dos espólios de Holophernes de Castro e Lydia Teixeira de Castro, mantém o liquidante nomeado pelo juízo — não o requerente originário — e oficia à 7.ª Vara de Fazenda Pública para suspender todo pagamento de créditos ao Banco nos autos da desapropriação de 1962 (0000309-50.1962.8.19.0001) Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  5. 13 de junho de 2017 EXTINTA SEM RESOLUÇÃO
    DE MÉRITO
    ⇒ não faz coisa julgada material. É esta a sentença que o adversário invocaria como "convalidação" · art. 485, IV e VI · "sem ativo a liquidar ou credores habilitados"
    Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
2017 em diante

A regularização, e o pêndulo administrativo

Em 11 de outubro de 2017, às 20 horas, reúne-se a Assembleia Geral Especial de Acionistas — convocada por edital publicado no Diário Oficial do Estado e no Monitor Mercantil nos dias 4, 5 e 6 de outubro, com 76,77% das ações presentes. É o contrário de 1964 em cada detalhe de forma. A assembleia delibera a cessação da liquidação, porque, nas suas palavras, “mesmo diante do considerável tempo passado desde a liquidação extrajudicial realizada, até a presente data, esta não se consumou”; aprova o nome BCM – Ativos Imobiliários S.A., mantendo “Banco de Crédito Móvel” como nome de fantasia; e fixa o capital em R$ 620.000.000,00.

Em 17 de novembro de 2017 o pedido chega à JUCERJA — dizendo que a companhia “encontra-se cadastrada nessa JUCERJA como extinta, quando na verdade está sob liquidação”. A Junta defere em 29 de novembro de 2017. E há um número nesse termo que vale por um argumento: o arquivamento imediatamente anterior é o de 11 de março de 1966. Entre um e outro, cinquenta e um anos sem nenhum ato de registro — nem de encerramento, nem de baixa, nem de nada.

Em 21 de fevereiro de 2018 a Junta arquiva a ata e a Receita Federal abre o CNPJ 30.104.654/0001-26, situação cadastral ativa. É o primeiro CNPJ da história da companhia: até ali, como a própria ata reconhece, ela “não possuía sequer CNPJ ou mesmo o antigo CGC”. Uma sociedade que nunca teve inscrição não pode ter tido baixa. Termos de autenticação da JUCERJA e comprovante da Receita Federal, lidos no original

O caminho depois disso não foi linear: o CNPJ chegou a ser declarado nulo em 2018, o Plenário da JUCERJA decidiu em 2024, o DREI decidiu em sentido contrário em 2025 e a Justiça Federal revogou a tutela em 4 de novembro de 2025, com o CNPJ reativado em 72 horas.

Hoje a situação cadastral é ativa. Parte dessas frentes segue sub judice, e este acervo registra as duas direções — inclusive as decisões contrárias.

A regularização

Marcadas em vermelho as decisões contrárias ao Banco; em verde, as favoráveis.

  1. 2 de dezembro de 2016 Contratação da regularização Por Heitor Castro · acionista · no mesmo dia constitui-se a Dominium SPE Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  2. 11 de outubro de 2017 AGE ESPECIAL DE REGULARIZAÇÃO Às 20 horas, na Av. Erasmo Braga 227, Centro · convocada por edital no Diário Oficial do Estado e no Monitor Mercantil nos dias 4, 5 e 6 de outubro de 2017 — o contrário de 1964 · presentes acionistas com 76,77% das ações · preside Heitor Castro, único herdeiro necessário vivo do espólio de Holophernes de Castro · delibera a cessação da liquidação, porque "mesmo diante do considerável tempo passado desde a liquidação extrajudicial realizada, até a presente data, esta não se consumou" · aprova o nome BCM – Ativos Imobiliários S.A., mantido "Banco de Crédito Móvel" como nome de fantasia · fixa o capital em R$ 620.000.000,00 em 620.000 ações de R$ 1.000,00, "correspondentes ao valor dos créditos depositados no Banco do Brasil em nome da Companhia" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  3. 17 de novembro de 2017 O PEDIDO À JUCERJA Requerimento assinado por Heitor Castro em 25/10/2017 e protocolado em 17/11/2017 · protocolo 00-2017/311549-7 · ato 310, evento 999 · pede que a Junta corrija o cadastro: "encontra-se cadastrada nessa JUCERJA como EXTINTA, quando na verdade está sob LIQUIDAÇÃO" · e transcreve a decisão da 6.ª Vara Empresarial Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  4. 29 de novembro de 2017 A JUCERJA MUDA O STATUS De "extinta" para "em liquidação judicial" · deferido · quem leva o processo da 6.ª VE à Junta é Heitor Castro Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  5. 21 de fevereiro de 2018 REGULARIZAÇÃO · 1.º CNPJ No mesmo dia em que a JUCERJA defere e arquiva a ata (arquivamento 00003156580), a Receita Federal abre o CNPJ 30.104.654/0001-26 · nome empresarial BCM – ATIVOS IMOBILIÁRIOS, nome de fantasia Banco de Crédito Móvel · natureza 205-4, sociedade anônima fechada · atividade principal 68.10-2-01, compra e venda de imóveis próprios · situação ATIVA desde 21/02/2018 · NIRE 33.3.0006175-4 — é o primeiro CNPJ da história da companhia: até ali ela "não possuía sequer CNPJ ou mesmo o antigo CGC" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  6. 7 de agosto de 2018 ADE n.º 115 · nulidade do CNPJ Receita Federal · DRF/RJ I · DOU de 17/08/2018 Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  7. 28 de outubro de 2022 AGE de 28/10/2022 Registro 00005229720 · a ata que passa a ser atacada Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  8. 28 de dezembro de 2022 Arquivada a Ata da nova AGE Com base na sentença da 39.ª Criminal · deferida ainda em dezembro Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  9. 2023 A JUCERJA EXCLUI O ESPÓLIO POR ILEGITIMIDADE SEI 220011/000242/2023 · "pessoa estranha aos quadros societários" · a própria Junta nega ao Espólio a condição de parte Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  10. 30 de abril de 2024 PLENÁRIO DA JUCERJA Unânime: desprovê o recurso da PRÓPRIA Procuradoria · 2568.ª Sessão · Vogal Relator Affonso d'Anzicourt e Silva · o status passa de "extinta" a "transferida" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  11. 23 de agosto de 2024 A PRESIDÊNCIA ENCERRA O PROCESSO Sérgio Tavares Romay · SEI 81552637 · recurso do Espólio não recebido, o da Procuradoria deserto, autos arquivados Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  12. março de 2025 Efeito suspensivo Decisão n.º 1/2025 do DREI · nos embargos do Banco Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  13. 7 de março de 2025 DREI decide contra "provido para desarquivar os documentos registrados" Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  14. 9 de abril de 2025 Situação cadastral: ATIVA Por decisão do Secretário Nacional Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
  15. 4 de novembro de 2025 REVOGADA A TUTELA "encerrar instituição financeira sem o BACEN é ATO NULO" · o CNPJ é reativado em 72 h Selo de prova A — Lido no original. Documento aberto e conferido por nós. Só este selo sustenta uma afirmação do site.
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